O Notícias Viriato entrevistou o Professor e Investigador Gabriel Mithá Ribeiro no dia 14 de Novembro de 2019.

Nascido em Lourenço Marques, filho de pai católico e mãe muçulmana, Gabriel Mithá Ribeiro falou, nesta primeira parte da entrevista ao Notícias Viriato, sobre a sua infância, educação e carreira, passando pelas suas obras mais controversas, bem como sobre o controlo da comunicação social e a doutrinação no ensino.

“Este livro, Um Século de Escombros, tem uma história complicada. Apareceu em Setembro e, como elogia a Direita e é dedicado a Bolsonaro, Trump e à Nova Direita Europeia, sinto que este livro, mais do que os anteriores, tem um bloqueio na Comunicação Social, tem um bloqueio no espaço público, uma coisa impensável!”

Parte 1 – “Vejam o conceito de Colonialismo, que é uma adulteração […]; quando nós falamos da condição dos Portugueses e outros Europeus como colonizados pelos Romanos e Árabes, nós usamos o conceito de Colonização, que é uma palavra neutra. Mas, à medida que caminhamos para o Século XX, e à medida que os Europeus transitam de Colonizados a Colonizadores, nós substituímos o conceito de Colonização pelo conceito de Colonialismo. E transformámos exactamente o mesmo fenómeno histórico num crime contra a Humanidade. Se isto não é uma falcatrua, que é então?”

Parte 2 – “Eu fiz trabalho de campo em Moçambique, ouvindo pessoas pobres negras de oito províncias de Moçambique, em espaços rurais e urbanos, e apanhei na cabeça dos Moçambicanos o 8 e o 80 sobre a Colonização. Se quisermos o 8, o lado negativo, era aquilo que ouvia da cabeça universitária daqui. Mas se quisermos o 80, do lado positivo, eu encontrei Moçambicanos que diziam coisas como “Vocês, Portugueses brancos, civilizaram-nos”. Este tipo de representação que existe no senso comum em Moçambique foi truncada, foi interditada, foi proibida de entrar no espaço institucional, no espaço intelectual, no espaço político e na comunicação social. Está-se a cometer uma espécie de lobotomia da memória colectiva, uma espécie de crime contra a identidade dos próprios africanos…”

“Quando nós falamos sobre esta questão da discriminação […] é tão negativa a discriminação negativa, aquela que atingia os negros no passado, como a discriminação positiva que atinge essas comunidades hoje. É tão condenável uma como outra, tão socialmente fragmentadora uma como outra.”

“O maior problema do Islão não é o Ocidente, não é o Catolicismo, não é o Cristianismo. É o próprio Islão. Veja o caso do Brexit e como isso ameaça a União Europeia. Se se tivesse discutido com frontalidade o que é a Identidade Europeia, se se tivesse discutido com frontalidade como gerir a imigração não-europeia, provavelmente o Brexit não acontecia. Mas por causa desta névoa do Politicamente Correcto, herdada dos Soviéticos, há temas que não se podem discutir e depois optou-se por soluções de ruptura dentro do próprio espaço europeu. Por não se querer discutir que há Europeus e há Não-Europeus, há uma matriz civilizacional Judaico-Cristã Ocidental com determinadas características que é diferente da dos outros ” “Assumir a auto-responsabilidade de cada um é fundamental e por isso é que eu acho muito importante o regresso do Nacionalismo com Trump, Bolsonaro… O “Make America Great Again”, o “America First” são fundamentais, porque simbolizam um valor moral de auto-responsabilidade, por muito que outras pessoas queiram dar outra interpretação.”