O Director do Polígrafo, Fernando Esteves, recebeu do Santa Maria uma verba para fazer livros e pouco depois publicou naquele site uma notícia favorável ao hospital. Além disso, é acusado pelo Ministério Público de ter relações profissionais promíscuas com Lalanda e Castro, arguido no processo da Máfia do Sangue, escondendo também a responsabilidade do empresário no livro que escreveu sobre a Operação Marquês.

O Semanário SOL, no dia 16 de Novembro, revelou que o Hospital de Santa Maria pagou, por ajuste directo, 25 mil euros ao Director do Polígrafo por um livro sobre o tratamento da Hepatite C e que por “coincidência”, dias depois o site de Fernando Esteves classificou como “falsas” afirmações do bastonário da Ordem dos Médicos nada abonatórias para a administração daquele hospital.

O SOL revela que o documento relativo ao ajuste directo do Hospital de Santa Maria tem a data de 3 de Dezembro de 2018 no valor de 24.185,69 euros (IVA incluído). Esta verba situa-se pouco abaixo dos 25 mil euros que constituem o concurso pelos organismos estatais, surgindo Fernando Esteves como “único concorrente”. O ajuste directo serviu para a “aquisição de serviços de elaboração e edição de livros sobre o tratamento inovador de Hepatite C no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte”.

O livro seria apresentado publicamente a 8 de Dezembro, seis dias depois da autorização do ajuste directo.

Onze dias depois da autorização do ajuste directo, o Polígrafo procurava responder a interrogações levantadas pela greve dos enfermeiros dos hospitais públicos. Não sendo falsas a informação e a conclusão, coloca-se a questão de saber se o Polígrafo estava isento para fazer esta avaliação, isto depois do ajuste directo.

17 de Novembro de 2019