O Director do Jornal “Polígrafo”, Fernando Esteves, era jornalista e editor de política na Sábado, enquanto era sócio de uma empresa de consultoria em comunicação que fez a “gestão de crise” para o principal arguido do Caso Máfia de Sangue, Paulo Lalanda e Castro, uma actividade incompatível com a profissão de jornalista e contra o Código Deontológico dos Jornalistas.


A SÁBADO noticiou, no dia 11 de Novembro, que o Director do Polígrafo, Fernando Esteves, foi “apanhado no caso Máfia do Sangue” e refere a acusação do Ministério Público, onde a empresa “Alter Ego” de consultoria em comunicação que Fernando Esteves era sócio, trabalhou com a Octapharma e para Lalanda e Castro, o principal arguido do processo.

Fernando Esteves foi de 2005 a 2017, jornalista da SÁBADO e até 2018, sócio da Alter Ego (o mesmo nome de um blog da sua autoria) que, além da assessoria mediática a Octapharma, também ministrou, por exemplo, em acções de formação da Apifarma. 

O jornalista, escreveu durante muito anos sobre questões de política de Saúde e escreveu em Janeiro de 2017 um perfil de Lalanda de Castro na SÁBADO, relacionando-o não só com a Operação Marquês, mas também com o caso Octapharma e “Vistos Gold”. 

De acordo com o artigo 11 do Código Deontológico dos Jornalistas, O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios suscetíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesse.

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) lista as várias funções incompatíveis com o exercício da profissão de jornalista entre as quais “Funções de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem, bem como de planificação, orientação e execução de estratégias comerciais”

Pode-se continuar a ler no site da CCPJ “O jornalista abrangido por qualquer das incompatibilidades definidas na lei fica impedido de exercer a respectiva actividade, devendo, antes de iniciar a actividade em causa, depositar junto da CCPJ a carteira profissional que será devolvida, a requerimento daquele, quando cessar a situação que determinou a incompatibilidade.

A violação do regime das incompatibilidades constitui contra-ordenação punível com coima de € 200 a € 5.000, podendo ser objecto de sanção acessória de interdição do exercício da profissão por um período máximo de 12 meses, tendo em conta a sua gravidade e a culpa do agente.”


Fernando Esteves, Director do Polígrafo – Fonte: NIT

As suspeitas que recaíam sobre Paulo Lalanda e Castro, ex-director da Octapharma, e o médico Luís Cunha Ribeiro (ambos recentemente acusados pelo Ministério Público por corrupção activa e passiva) que eram noticiadas na comunicação social, foram a razão para contratar a consultoria em comunicação da Alter Ego, Lda

Pedro Coelho dos Santos, quadro do INEM, chegou a ser candidato do PS à Câmara do Sobral de Monte Agraço, ocupava-se da monitorização das notícias e trabalhava sob a dependência de Cunha Ribeiro, avançou com um orçamento de 850 euros/mês para a assessoria da Octapharma e, por outro lado, a “prestação do serviço através da empresa Alter Ego, Lda.. ” a Paulo Castro e empresas do seu universo como se pode ler aqui:

“Serviço a prestar: Monitorização mediática (dias úteis e fins-de-semana) das noticias referentes ao “processo Marquês”, “vistos gold” e a atividade das empresas do universo pessoal. Aconselhamento mediático de crise, nas suas várias componentes: elaboração de respostas aos media e comunicados de imprensa, sempre que necessário; Análise da documentação disponível no âmbito dos respetivos processos judiciais com vista a antecipar situações de risco mediática, necessidades de ações juntos dos media e Disponibilidade permanente. Valor: 1500 (mil e quinhentos) euros mensais, acrescidos de IVA a taxa legal”

Foi no âmbito do caso da Operação Marquês que Fernando Esteves viajou até Londres para se encontrar com Paulo Lalanda e Castro. Um encontro que, segundo o Ministério Público, terá sido arquitectado por Pedro Coelho dos Santos, Luís Cunha Ribeiro e o advogado Paulo Farinha Alves (também acusado no processo). A reunião entre o jornalista e Lalanda de Castro acabaria por ser relatada num dos livros de Fernando Esteves, “A Sangue Frio”.

Nos milhares de emails apreendidos pela investigação, o Ministério Público isolou um do assessor de comunicação Bueno de Matos, no qual este diz a Lalanda de Castro que pretendia “acompanhar” e “não largar” a jornalista da TVI Alexandra Borges, autora de várias reportagens sobre o negócio da venda de plasma ao Estado. Bueno de Matos escreveu ainda que pretendia esclarecer o contrato de arrendamento entre Cunha Ribeiro e uma sociedade imobiliária de Lalanda de Castro, a Convida, que o Ministério Público garante nunca ter existido. Aliás, segundo a tese da acusação, Lalanda e Castro colocou à disposição de Cunha Ribeiro dois apartamentos, um no Porto, outro em Lisboa, para usufruto deste, como contrapartida para a influência que este tinha nos contratos entre a Octapharma e o Estado.

Apanhado em várias escutas telefónicas com Cunha Ribeiro (e depois em emails apreendidos numa busca da PJ), o assessor chegou a trabalhar em simultâneo para o Estado, para o médico, para Lalanda e Castro e a Octapharma. Logo em 2015,  Coelho dos Santos enviou a Fernando Esteves as perguntas da jornalista Alexandra Borges dirigidas a Cunha Ribeiro e, noutro caso, também se gabou a Lalanda de ser “a única pessoa” que conseguia “manipular Cerejo”, referindo-se ao jornalista José António Cerejo, do Público. Mais tarde, propôs a Lalanda a contratação de um especialista em gestão de crises mediáticas (da HK Strategies), que também realizou trabalhos de monitorização de notícias sobre a Octapharma.

Fernando Esteves, Director do Polígrafo, fez uma publicação no Facebook a esclarecer a situação e diz “…não foi boa ideia ter permanecido como sócio numa empresa cuja actividade diária desconhecia, mesmo que ela fosse gerida por um grande amigo em que depositava toda a confiança, como era o caso. Para os que me conhecem, é fácil perceberem porque o fiz: sou muito desligado de burocracias, confio nos amigos e não perco tempo com detalhes que considero secundários. Problema: afinal veio a revelar-se que isto não era um apenas um detalhe. Devia, de facto, ter-me afastado mais cedo. Mas o facto de o não ter feito não é suficiente para que se coloque em causa a honestidade profissional de alguém que, nomeadamente sobre o tema em causa, não recebe lições de quem quer que seja em matéria de independência e isenção. Não é. Mesmo. E sei que os heróis que conseguiram chegar ao fim deste longuíssimo texto – a única intervenção pública que farei sobre este tema, apenas em respeito aos milhões de leitores que acreditam no Polígrafo como referencial de honestidade – concordam necessariamente comigo. Porque aqui, meus amigos, não falamos de questões de fé – falamos de factos. Factos. Nada mais do que isso.

António Abreu

12 de Novembro de 2019

Fontes:

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/diretor-do-poligrafo-apanhado-no-caso-mafia-do-sangue

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/ex-socio-do-diretor-do-poligrado-assume-facturacao-com-a-octapharma

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