Numa entrevista em vídeo ao Notícias Viriato, que sairá brevemente em três partes, o Tenente-Coronel Pedro Tinoco de Faria, dos Comandos, agora aposentado, que está a criar um novo movimento político com uma futura candidatura à Presidência da República, o Movimento Gente, disse em resposta a uma pergunta sobre o 25 de Abril, que vai avançar criminalmente contra os responsáveis “vivos e mortos” da “descolonização criminosa”. Podem ver a resposta completa no vídeo mais abaixo, juntamente com a transcrição completa da resposta.

“Eu tenho tenho feito alguns contactos, que eu queria fazer a reabertura desse processo, portanto, colocar novamente os vivos e os mortos em Tribunal, e o Estado Português em Tribunal, com realmente uma descolonização que foi criminosa. Povos que hoje vivem miseravelmente fruto da decisão de meia-dúzia de capitães em berros. O senhor Álvaro Cunhal, o senhor Mário Soares e o Almeida Santos, que hoje nas escolas, são tidos como heróis, os heróis da revolução, e foram uns traidores e que deviam estar todos presos.

[…]

Eu já contactei alguns juízes para levar este processo ao Tribunal Internacional de Direitos Humanos para punir e acusar o Estado Português, e acusar esta gente toda de criminosos. Para que, no mínimo, haja a nível dos manuais de história, haja uma remodelação e que estes senhores fiquem vistos como criminosos.”

Notícias Viriato – Qual é a sua visão sobre o 25 de Abril, a descolonização e o 25 de Novembro?

Tenente-Coronel Pedro Tinoco de Faria – O 25 de Abril foi um movimento corporativo, começou como um movimento corporativo, de classe, em que os oficiais da academia militar não concordaram com um decreto que, na altura, o ministro fez sair, que ia fazer com que os militares Milicianos passassem à frente de alguns dos oficiais da Academia Militar.

Portanto, começou por um movimento que não teve nada haver com democracia nem com liberdades nem com nada.

Começou como um movimento um bocado sindicalista, já havia alguns oficiais meio virados para o lado comunista, o Vasco Lourenço na Guiné que andava lá perdido e perdeu uma companhia, só fez figuras tristes… e outros oficiais já meio vermelhos que também minavam as tropas e que aproveitaram o comboio do 25 de Abril, que tinha o Movimento de Salvação Nacional, e era bom realmente acabar com a Guerra de África, penso que tinha que se acabar, eram treze anos de Guerra. Foi positivo. Havia um grande desgaste do país e havia dentro desse Movimento de Salvação Nacional e do programa do MFA um programa para uma descolonização em que ia haver uma oscultação das populações, quer os nativos quer os Portugueses… eram todos Portugueses! Mas quer os locais, quer os da metrópole, ia haver um referendo, uma oscultação para saberem cada uma das colónias que caminho é que queria seguir.

Isto, obviamente, não se fez, há uma reunião com o maluco do Vasco Gonçalves e com mais uns oficiais, em que decidem entregar as colónias de mão beijada, e entregaram as colónias a movimentos maoístas, marxistas, e não a movimentos que fossem por exemplo, doutro bloco, como era o caso do Savimbi, que era mais pró-americano, e a FNLA, que eram movimentos mais de direita do que de esquerda, entregaram à FRELIMO, ao Samora Machel em Moçambique, entregaram ao Agostinho Neto em Angola, ao PAIGC na Guiné, e esqueceram-se de um pormenor, esqueceram-se não, eles sabiam… portanto, as sociedades africanas são sociedades tribais, e era muito provável que a tribo a quem entregarassem o poder fosse chacinada e fosse oprimir os outros que não tinham o poder.

A consequência histórica, hoje, passado quarenta e cinco anos, da descolonização, como foi feita, foi militares Portugueses nativos, nas três províncias, principalmente na Guiné, foram torturados e fuzilados, ou seja, estes grandes capitães de Abril, estes militares e os políticos deixaram que estas pessoas que foram soldados de Portugal, que defenderam Portugal, fossem completamente chacinados, e nós andamos a elegê-los! Mário Soares… Almeida Santos…etc Depois houve um êxodo, de quase meio milhão de pessoas que vieram para cá e instalaram-nos ali no vale do Jamor em barracas, e que tinham o nome perjurativo de retornados. Não eram Portugueses, eram retornados! Foram humilhados, vieram com uma mão à frente e outra atrás, muitos foram mortos, sem poderem vir… foram perseguidos, foram presos e morreram nas prisões.

E a consequência histórica que depois foram duas guerras civis, em Angola e Moçambique, com três milhões de mortos, dez milhões de deslocados de guerra, oligarquias, estados corruptos… Eu agora vim agora de Moçambique, é o 10º país mais pobre do mundo, com uma classe política que vive no palácio do Ali Babá. Angola a mesma coisa, tem agora uma pessoa que parece que está a combater a corrupção, mas aquilo é tudo igual. Mudam as moscas e fica a mesma coisa. A Guiné é um paraíso do narcotráfico, não se entendem. E Portugal é uma oligarquia, não é uma democracia. A consequência histórica do 25 de Abril foi esta.

O 25 de Novembro foi feito para terminar/acabar/desmotivar um estado comunista que iríamos ter aqui em Portugal. É feito o 25 de Novembro, não só com os comandos, o Jaime Neves foi a pessoa que ficou mais conhecida, mas foi exactamente para que o partido comunista não tomasse conta de Portugal, e que Portugal pudesse ser minimente livre. O resultado do 25 de Novembro, é que o 25 de Novembro é que nos deu realmente a liberdade, não foi o 25 de Abril. Não é comemorado, nem na Assembleia da República o comemoram. O Jaime Neves foi promovido a Major-General já quase às portas da morte. E toda esta gente foi esquecida.

Há um processo, uma queixa feita em 1979, por um grupo de militares com o General Silvino Silvério Marques, na Polícia Judiciária contra Mário Soares, Almeida Santos, Rosa Coutinho, Vasco Lourenço, Spínola… contra muitos dos militares e políticos de Abril, como crime de Traição à Pátria. Havia um artigo na Constituição da República que era o Crime de Traição à Pátria a quem entregasse territórios da forma que foi feita. Houve uma alteração na Constituição da República e o processo foi arquivado.

Eu tenho tenho feito alguns contactos, que eu queria fazer a reabertura desse processo, portanto, colocar novamente os vivos e os mortos em Tribunal, e o Estado Português em Tribunal, com realmente uma descolonização que foi criminosa. Povos que hoje vivem miseravelmente fruto da decisão de meia-dúzia de capitães em berros. O senhor Álvaro Cunhal, o senhor Mário Soares e o Almeida Santos, que hoje nas escolas, são tidos como heróis, os heróis da revolução, e foram uns traidores e que deviam estar todos presos.

O Mário Soares e o seu filho encheram-se de diamantes lá para Angola, montaram fundações que ainda hoje têm imenso dinheiro, e esse dinheiro devia ir todo parar às mãos dos desgraçados que perderam tudo.

Portanto, a minha perspectiva em relação ao 25 de Abril, o 25 de Abril foi um movimento corporativo. O Partido Comunista, dia 26 de Abril, tomou conta do país, era o único partido que estava organizado. Os militares tiveram atitudes vergonhosas, há militares de várias áreas que ainda hoje estão vivos, até são escritores e que mandam umas postas de pescada e vão há televisão, mas que são traidores à Pátria. Os verdadeiros militares que não são conhecidos, porque os bons insistem em ser pequenos e os maus insistem em ser grandes, os bons militares e grandes comandantes de homens que se mantiveram no anonimato e que souberam desaparecer, sabem a história toda, conhecem os podres todos, conhecem esses senhores todos mas insistem em não falar. Também já estão velhotes, querem é gozar os seus dias sem grandes guerras. Já tiveram a guerra que tinham que ter mas é uma pena…

Há muitos livros escritos sobre a descolonização, o processo vergonhoso, mas a minha ideia é que foi um crime brutal que devia…. eu já contactei alguns juízes para levar este processo ao Tribunal Internacional de Direitos Humanos para punir e acusar o Estado Português, e acusar esta gente toda de criminosos. Para que, no mínimo, haja a nível dos manuais de história, haja uma remodelação e que estes senhores fiquem vistos como criminosos.

Isto é quase uma guerra inglória, mas eu só desisto quando me disserem que não é mesmo possível. Há juízes que estão interessados em agarrar no processo. Vamos ver… como é que a coisa evolui.

18 de Julho de 2019