Um vídeo viral que se alastrou nas redes sociais, contando já com 11 mil partilhas no Facebook, descreve um “cidadão africano com 7 filhos durante a compra de um automóvel num stand em Odivelas para a sua família admite que o crescimento da mesma se deve pura e simplesmente à subsidiodependência do RSI do qual usa para pagar a sua viatura, e quando perguntam quanto ganha diz que “1200€/mês de RSI é pouco” pois ganha muito mais”.
O polémico vídeo conta já com 668 mil visualizações no Facebook e com 214 mil visualizações no Youtube, fora as partilhas por outras contas e páginas nas diferentes redes sociais.
O jornal Polígrafo, que se autointitula como “um projeto jornalístico online que tem como principal objetivo apurar a verdade – e não a mentira – no espaço público” depressa veio pegar no tema.
O próprio Polígrafo denota que “O vídeo em causa não parece ter sido manipulado e a mensagem da página “Invictus Portucale” corresponde – mais ou menos rigorosamente – a afirmações proferidas pela pessoa que foi filmada (…)” Ou seja, mesmo apesar deste jornal ter também chegado à conclusão de que o vídeo em si é verdadeiro, decidiu marcar as afirmações deste ‘homem de família’ como falsas.
Aqui começa logo mal. O homem admite receber da ‘Segurança Social’ e não exclusivamente do Rendimento Social de Inserção como a pergunta enviesada e mal feita deste jornal de ‘fact-checking’ quer fazer. O próprio indivíduo chega a falar em vários apoios estatais e sociais à medida que se ia gabando dos mesmos ao dono do stand, desmanchando-se em ‘pensão, abono do bebé’ entre outros.
Como podemos constatar nesta tabela de exemplo aqui em cima, através da conjugação do Rendimento Social de Inserção mais os abonos de família para famílias numerosas e mais outro abono de família e um Subsídio Social Parental, esses valores podem facilmente exceder os tais 1200 euros afirmados no vídeo, do qual o indivíduo em causa afirmou serem ‘pouco’.
Posto isto temos finalmente a forma errada como o próprio Polígrafo executou a sua metodologia.
Ora como aqui podemos constatar, o Polígrafo compromete-se a:
1 – Consultar a fonte original da informação;
2 – Consultar fontes de natureza documental que possam solidificar o processo de ‘checagem’ (fontes que possam confirmar os factos);
3 – Ouvir os autores da afirmação, dando-lhes o direito de a explicar;
4 – Contextualizar a informação.
Nenhum destes pontos ao qual o Polígrafo se propôs a si próprio foi se quer cumprido.
“[O vídeo] carece porém de contexto e, não sendo possível questionar a pessoa em causa, não sabemos se estaria a falar a sério ou a brincar com um amigo, entre outros possíveis sentidos ou interpretações (ironia, bazófia, provocação, etc.) do diálogo registado no vídeo.”
Neste excerto o Polígrafo mata logo os 4 coelhos numa cajadada. Nem consultou a fonte original da informação dizendo ‘não ser possível questioná-lo’, não consultou fontes de natureza documental, como por exemplo averiguar na Segurança Social se o que este sujeito afirma é verdade, não se deu ao trabalho se quer de ouvir os autores da afirmação, dando-lhes o direito de se explicarem, e mesmo a contextualização diz que é aberta a ‘várias interpretações’.
O Polígrafo, ‘em nome da verdade’ limitou-se a fazer algumas contas de matemática com base nos escalões de IRS, para uma pergunta em si que já estava mal feita para as afirmações do indivíduo em causa, que disse receber dinheiro da ‘Segurança Social’ e não exclusivamente do RSI, mencionando mesmo outros apoios. A vasta maioria dos comentários nesta notícia expunham também o quão mal tinha sido não só feita a pergunta como também as contas da mesma, descredibilizando a já pouca credibilidade que este órgão de comunicação social detém, outro tiro no pé neste jornal de ‘verificação de factos’.
Fontes do cálculo da tabela de Subsídios:
7 de Novembro de 2019
Beirão
Se detectou alguma mentira publicada pelo Polígrafo ou tem dúvidas sobre a veracidade de alegações feitas por esse órgão de informação, contacte-nos para o email [email protected]

VERDADE VS POLÍGRAFO

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