3º Artigo da Série “Verdade VS Polígrafo”

Análise céptica da publicação do Jornal Polígrafo do dia 26 de Março de 2019 intitulada: Mamadou Ba disse que a cidade de Lisboa está infecta de nazis ucranianos e “tugas”?

https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/mamadou-ba-disse-que-a-cidade-de-lisboa-esta-infecta-de-nazis-ucranianos-e-tugas

Em resposta à pergunta que dá título ao artigo, a conclusão do Polígrafo foi esta:

“sim, é verdade que Mamadou Ba disse que “a cidade de Lisboa está infecta de [skinheads neo-] nazis ucranianos e tugas“. Mas escreveu essa frase num determinado contexto e com uma determinada motivação. A publicação da página “Direita Política” isola uma frase da mensagem, com ligeiras imprecisõese retira-a do contexto original, para lhe conferir um sentido diferente.”

Em resumo, o Polígrafo alegou que, ao contrário do que a edição da página “Direita Política” poderia fazer crer, Mamadou Ba não chamou nazis aos portugueses e ucranianos que vivem em Lisboa. O dirigente do SOS Racismo referia-se a adeptos perigosos das selecções de futebol dos dois países, as quais iriam jogar em Lisboa.

Quanto à contextualização da mensagem, o Polígrafo acertou: Mamadou, de facto, referia-se a adeptos de futebol. Contudo, a opção editorial do Polígrafo ignorou o chamado Elefante na Sala. 

Fazendo fé cega no Polígrafo, ainda que Mamadou Ba tenha tido como “principal motivação” da sua mensagem, na melhor e mais pura das intenções, apenas “alertar as pessoas para terem cuidado”, querendo avisar no “sentido das pessoas se precaverem”; um órgão de informação como o Polígrafo, autoproclamado verificador de factos comprometido com a Verdade, tinha o dever de apurar o grau de veracidade do facto alegado por Mamadou Ba. Tal não aconteceu. 

Em vez de procurar se o conteúdo da mensagem de Mamadou Ba era verdadeiro ou falso, o Polígrafo optou por justificá-lo (!!). O compromisso com a Verdade foi nenhum pois o foco da análise do Polígrafo deveria ter sido o seguinte:

-Em dia de jogo de futebol entre Portugal e Ucrânia, Lisboa esteve, de facto, infecta de skinheads neonazis, ucranianos e “tugas” preparados para a violência?

-Era, de facto, perigoso andar sozinho nas ruas de Lisboa?

-Os lisboetas deveriam estar, de facto, alerta e precavidos?

-Mamadou Ba fundamentou-se em qual fonte ou testemunho para lançar o alerta?

-O Comando da Polícia de Segurança Pública, o SIS, o Ministério da Administração Interna, a Federação Portuguesa de Futebol, a UEFA ou a Câmara Municipal de Lisboa emitiram algum relatório, comunicado ou alerta relativo ao perigo alegado por Mamadou Ba?

-Havia mesmo na cidade de Lisboa a presença alegada por Mamadou Ba? Quem devia evitar andar sozinho? Toda a gente? Em que ruas? Toda a cidade estava “infecta” e em “perigo”?

Mamadou Ba mentiu e difundiu “fake news” ou disse a verdade?

Tudo isto, o mais importante de apurar, foi olimpicamente ignorado e desprezado pelo Polígrafo.

Importa, então, procurar onde o Polígrafo se baseou para fazer algumas alegações em defesa de Mamadou Ba. Segundo este Jornal, 

“Atente-se que a principal motivação da mensagem de Mamadou Ba é alertar as pessoas para terem cuidado”

Terá o Polígrafo procuração de Mamadou Ba para nos explicar as principais motivações das suas mensagens ? Em lado nenhum do mundo isto se chama verificação de factos.

Não é certo que a principal motivação da mensagem de Mamadou Ba tenha sido alertar para termos cuidado. Tal alegação do Polígrafo não é um facto. 

Desde logo, como já vimos, o Polígrafo teve absoluto desinteresse pela veracidade ou falsidade do conteúdo da mensagem de Mamadou Ba. Quem nem se preocupa em saber se a mensagem traduz uma verdade ou mentira, como pode garantir aquilo que a motivou? Não pode.

Segundo o Polígrafo, a frase de Mamadou Ba…….”isolada, parece um insulto dirigido aos ucranianos e portugueses em geral. Mas no contexto original é uma chamada de atenção para a alegada presença de adeptos de futebol violentos na cidade de Lisboa”.

Ora, neste ponto, se, por hipótese extraordinária, Mamadu Ba passou uma mensagem falsa, a sua “chamada de atenção” foi insultuosa para os adeptos de futebol presentes na cidade. 

Sabemos que o Polígrafo não quer saber se a mensagem foi verdadeira ou falsa mas, no mínimo, é muito feio lançar uma suspeição infundada de “nazismo” contra adeptos portugueses locais e ucranianos que visitavam Lisboa. Assim, o “contexto original” apurado pelo Polígrafo em defesa de Mamadu Ba não iliba este de ter insultado pessoas. Na melhor das hipóteses, em vez de insultar todos os ucranianos e portugueses no geral, insultou “apenas” os que foram à bola. E depois? Insulto é insulto, mentira é mentira. 

Ao colocar o foco no facto do senhor Ba não ter chamado nazis aos portugueses e ucranianos de Lisboa em sentido genérico, o Polígrafo comete uma espécie de falácia de ataque ao espantalho.

Acrescenta o Polígrafo que a mensagem de Mamadou:

“Não é um insulto gratuito, muito menos uma expressão de racismo. Trata-se de um aviso, no sentido de as pessoas se precaverem.”

Esta alegação do Polígrago não é verificação de facto. É uma opinião. Opinião diferente, e fundamentada, teve o jornalista José Milhazes. Sem ignorar que Mamadou Ba se referiu aos adeptos de futebol, e não a todos os portugueses e ucranianos, ainda assim escreveu:

“Recomendo sinceramente às organizações de ucranianos em Portugal que apresentem queixa contra as declarações de Mamadou Ba, pois trata-se claramente de declarações insultuosas e xenófobas. Essa iniciativa deveria partir de instituições portuguesas, mas não vejo de quais.”

O artigo completo de Milhazes pode ser lido aqui:

Trata-se de uma refutação demolidora da mensagem de Mamadou Ba e que, por comparação, envergonha a defesa que lhe foi feita pelo Polígrafo.

Para complementar, e ainda sobre a alegada motivação altruísta da mensagem de Mamadou Ba, podemos facilmente reforçar que esta opinião do Polígrafo é muito frágil. Mamadou Ba não é um cordeirinho inocente que apenas avisou as pessoas para um eventual perigo da presença de adeptos de futebol violentos. Mamadou Ba, pelo contrário, é portador de uma mensagem genericamente paranóica descrevendo como real um imaginário ambiente racista em Portugal tão hostil e violento que, segundo ele, só pode ser combatido com violência:

Em suma,  a tal mensagem de Mamadou Ba sobre os adeptos de futebol nazis, factualmente verificada, só pode levar a duas conclusões:

1. Não tem fundamento nem fontes, é “fake news”.

2. É ‘fake news” coerente com a agenda política do dirigente do SOS Racismo em matéria de violência racial: descrevê-la como real, mesmo quando não é, para justificar e moralizar publicamente o seu activismo e ganha-pão.

Não havendo violência racista para denunciar, o tacho subsidiado do SOS Racismo perde boa parte da sua razão de existir. Não havendo violência racista em Portugal, Mamadou Ba inventa-a.

Conclusão: A linha editorial do Jornal Polígrafo é baseada no compromisso com a Verdade e verificação de factos? O leitor decida.

31 de Agosto de 2019

Bruno Filipe

Se detectou alguma mentira publicada pelo Polígrafo ou tem dúvidas sobre a veracidade de alegações feitas por esse órgão de informação, contacte-nos para o email [email protected]

VERDADE VS POLÍGRAFO

1º ARTIGO

Verdade VS Polígrafo: Jornal Polígrafo e SIC Difundem Mentiras Sobre Bolsonaro

2º ARTIGO

Verdade VS Polígrafo: Polígrafo Nega Extermínio de Bebés com Síndrome de Down na Islândia