2º Artigo da Série “Verdade VS Polígrafo”

Análise céptica à publicação do Jornal Polígrafo do dia 29 de Agosto de 2019:
A Islândia “extermina bebés com síndrome de Down” mas “faz funeral a um glaciar

O Notícias Viriato alegou e foi citado pelo Polígrafo quanto ao seguinte:

A Islândia extermina bebés com síndrome de Down mas faz funeral a um glaciar.” 

Segundo o Polígrafo, esta alegação é falsa. Analisaremos em seguida os motivos apresentados pelo Polígrafo para ter chegado a essa conclusão.Mas, como aperitivo, trataremos já de uma primeira e objectiva verificação de factos que nos foi feita por este jornal:

“…Katrín Jakobsdóttir é uma mulherprimeira-ministra da Islândia e não “o primeiro-ministro”, como é erradamente identificada na publicação em análise.”

Ocorre-nos perguntar se uma mulher não pode ser ou sentir-se um primeiro-ministro masculino? Provavelmente, não. O Polígrafo tem razão: Katrín Jakobsdóttir é uma mulher e o género correspondente ao sexo feminino também é feminino. Assim, as nossas desculpas e obrigado ao Polígrafo por esta fundamental chamada de atenção binária e heteronormativa. Contudo, este importantíssimo detalhe nada acrescenta à mensagem principal partilhada pelo Notícias Viriato.

Concentremo-nos, portanto, no essencial da verificação de factos do Polígrafo:

Relativamente à nossa primeira alegação de que ocorreu na Islândia uma cerimónia fúnebre para um glaciar, o Polígrafo não fez verificação de factos nem esclareceu os leitores sobre a ocorrência ou não do evento. Em vez disso, o Polígrafo preferiu dissertar e tecer considerações sobre uma das fontes referidas no artigo pelo Notícias Viriato:

…” importa aqui salientar que o Breitbart News é um site norte-americano ligado ao movimento alt-right (com ramificações em grupos de extrema-direita) e criado por Steve Bannon, um dos ideólogos de Donald Trump, atual presidente dos EUA, tendo chegado a exercer funções na Administração Trump. Ora, durante a campanha para a eleição presidencial dos EUA em 2016, o Breitbart News publicou várias fake news, com especial incidência sobre os adversários de Trump.”

Ufa! É obra. O Breitbart é mesmo horrível. Vamos dar como certo que esta saliência feita pelo Polígrafo é importante e de teor verdadeiro. Ignoremos que o Polígrafo diz que o Breitbart News publicou fake news mas nem uma identifica. Não é relevante. Nada disso prova como falsos o título e o conteúdo publicados pelo Notícias Viriato. É apenas uma maneira do Polígrafo atacar a reputação e a credibilidade dos outros, alegando factos que não demonstra e abusando das falácias de culpar por associação e argumentar ad hominem. Seguramente, tal comportamento não é verificação de factos. Em frente:

“A mensagem implícita nesta primeira parte do texto consiste numa espécie de sugestão de negacionismo das alterações climáticas, apesar da crescente consensualização entre a comunidade científica quanto a esse fenómeno.”

Vamos facilitar a vida ao Polígrafo e dar de barato que a mensagem até poderia ter sido aberta e explicitamente negacionista das alterações climáticas. E então? O que prova isso sobre ter havido ou não um funeral a um glaciar na Islândia? Nada. 

O Polígrafo, em vez de procurar se esta informação do Notícias Viriato sobre o funeral do glaciar era verdadeira ou falsa, preferiu associar a mensagem aos terríveis e tenebrosos negacionistas das alterações climáticas / aquecimento global causado pelo Homem. Tratou-se de um implícito ataque ad hominem: para o Polígrafo não interessa se a informação é verdadeira mas sim as convicções científicas de quem a transmitiu.

Não perderemos, por agora, muito tempo e linhas com a alegação do Polígrafo sobre a “crescente consensualização entre a comunidade científica” relativa às ditas alterações climáticas. O Polígrafo, se quiser, que verifique factos alegados por cientistas. Para início de conversa, podemos sugerir a obra publicada pelo falecido climatologista português Rui Moura.

Este autor é insuspeito de ter colaborado com a extrema-direita norte-americana da Alt-Right que inventa fake news para atacar os adversários de Trump. Resta agora esperarmos, sentados, que o Polígrafo faça verificação de factos para saber se o Homem está ou não a alterar o Clima. A verdade científica não se apura por método democrático, uma maioria pode estar errada e a minoria certa. O Polígrafo que meta mãos à obra e apresente factos climáticos. 

Mas, como dissemos, para o nosso caso agora em análise isto pouco ou nada importa. Alegar que o Notícias Viriato partilhou informação emitida por negacionistas de X não prova que o Notícias Viriato faltou à verdade quando noticiou Y. Infelizmente, os jornalistas do Polígrafo não percebem uma coisa tão elementar e insistem em ataques ad hominem:

“Não por acaso, o Breitbart News publica recorrentemente textos que apontam nesse mesmo sentido: as alterações climáticas são um mito.”

E depois? Não podem? É crime? Mentiram? Esse assunto esclarece se o Notícias Viriato e o Breitbart mentiram ou disseram a verdade no que respeita à Islândia?

A forma gratuita como o Polígrafo tenta rotular os “heréticos” é patética:

– Vejam, eles negam as alterações climáticas!  

O drama, a tragédia, o horror, a mediocridade e a falta de método assertivo na verificação de factos…

Em frente, a palavra outra vez ao Polígrafo:

“Não vamos, porém, analisar essa primeira parte do texto que parece servir apenas de pretexto para a segunda parte, na qual se veicula a mensagem central de uma suposta notícia que se assemelha mais – em algumas passagens e desde logo no título – a um artigo de opinião.”

Mas, porém, contudo e não obstante teria sido muito fácil ao Polígrafo analisar essa primeira parte do texto. Bastava verificarem se, de facto, como alegado pelo Notícias Viriato, houve mesmo, ou não, funeral a um glaciar na Islândia.

Será que o Polígrafo tem medo de esclarecer que o Notícias Viriato disse a verdade?

Vejamos então se, como alega o Polígrafo, estamos perante uma notícia que se assemelha mais a um artigo de opinião:

“Em 2017, o Breitbart relatou que um geneticista islandês vangloriou-se da erradicação do síndrome de Down no seu país. ‘O meu entendimento é que nós basicamente erradicámos o síndrome de Down da nossa sociedade, quase não existe nenhuma criança com síndrome de Down na Islândia’, disse Kari Stefansson.”

O Breitbart mentiu quando fez esse relato? O geneticista islandês não existe? Existe mas o que disse foi outra coisa? O Polígrafo nada esclareceu.

O Notícias Viriato declarou que a Islândia extermina bebés com síndrome de Down, por via de abortos. Se o tal especialista islandês existe e disse o que cita o Breitbart, a Islândia praticamente erradicou o síndrome de Down da sua sociedade, praticamente não existe nenhuma criança com síndrome de Down na Islândia. Estamos também a citar. Onde está, então, a falsidade difundida pelo Notícias Viriato? Não está, quem falsifica é o Polígrafo.

Continuando,

“Helga Sol Olafsdottir, conselheira do Hospital Universitário de Landspitali, indicou que não pensava que o aborto de bebés com síndrome de Down fosse errado. ‘Não vemos o aborto como um assassinato‘, disse ela. ‘Encaramos o aborto como uma coisa que acabamos'”, concluem.”

Na Islândia, onde de facto se fez um funeral a um glaciar, o aborto eugénico que praticamente erradicou o síndrome de Down do país não é visto como um mal nem como assassinato. Sim ou não? 

O Polígrafo não esclareceu. Seria importante, visto serem, segundo os próprios, verificadores de factos. 

Continuando,

“A publicação em análise da página “Notícias Viriato” consiste numa cópia quase integral de um artigo originalmente publicado na página “LifeSiteNews”, criada por um movimento “pró-vida” (anti-aborto, anti-eutanásia, etc.) no Canadá.”

Não se trata de uma cópia quase integral. Mas, ainda que fosse, onde isso provaria que o Notícias Viriato ou o Life Site News faltaram à verdade? Ser pró-vida, anti-aborto e anti-eutanásia é crime, proibido ou retira à partida credibilidade a alguma fonte de notícias? Se assim é, o Polígrafo que assuma explicitamente a sua posição ideológica radicalmente anticonservadora e que se deixe de autopromover como órgão de informação isento e apenas interessado na Verdade. Quanto ao restante, enumerar as legítimas convicções de alguém sobre A, B e C não prova que alguém mentiu ou faltou à verdade quando disse D.

Continuando com o Polígrafo:

“Não obstante, a informação sobre o decréscimo de bebés com síndrome de Down na Islândia pode ser confirmada através de outros meios de comunicação social mais credíveis, nomeadamente uma reportagem da estação televisiva CBS, emitida em agosto de 2017, na qual se salienta que “a Islândia tem em média apenas uma ou duas crianças nascidas com síndrome de Down por cada ano”.

Repare-se que o Polígrafo tenta opor a credibilidade da CBS à do Notícias Viriato destacando este título de reportagem da CBS:

Traduzindo , “Em que sociedade queremos viver? No interior do país onde o síndrome de Down está a desaparecer”

Ou seja, a CBS confirma que o síndrome de Down está a desaparecer na Islândia e que isso nos deve fazer pensar sobre o rumo da sociedade. Já o Notícias Viriato, noticiou que o rumo da sociedade islandesa é fazer funerais a glaciares enquanto extermina bebés com síndrome de Down. A CBS diz que o síndrome de Down está a desaparecer, o tal especialista islandês disse que o Síndrome de Down está praticamente erradicado. As três fontes concordam no essencial e os jornalistas do Polígrafo deveriam, talvez, aprender a ler.

Depois de confirmar que, segundo a credível CBS, o síndrome de Down está a desaparecer na Islândia, para não dar o braço a torcer o Polígrafo tentou fazer malabarismo e ilusionismo com números:

“Mas estes números têm que ser contextualizados: a Islândia tem uma população de apenas 330 mil habitantes. De acordo com a legislação islandesa, o aborto é permitido após as 16 semanas de gestação nos casos em que o feto tem uma deformação, estando o síndrome de Down incluído nessa categoria.”

Contextualizando devidamente os números, em média apenas uma ou duas crianças com síndrome de Down nascidas por ano, segundo a CBS, é o que está a levar o síndrome de Down a desaparecer no país! 

Ah, e a Islândia tem “apenas” 330 mil habitantes, claro. Obrigado ao Polígrafo por nos lembrar um facto que ninguém negou. A reportagem da CBS refere-o, tal como o da legislação, prazo pós 16 semanas e inclusão do síndrome do Down na categoria de deformação que permite o aborto. Isso era sabido e em nada acrescenta nem refuta o facto noticiado e em análise : 

Portanto, sim, o aborto dos fetos deformados com síndrome de Down é o método que está a levar ao desaparecimento de bebés nascidos com essa condição. O Polígrafo confirma os factos alegados pelo Notícias Viriato. E depois chama-lhes falsos. 

Curiosamente, a reportagem da CBS confirma as declarações do tal geneticista islandês referido acima e também noticiado pelo site Breitbart. Kari Stefansson existe mesmo. A bem da verdade, pelo menos nas declarações que a CBS cita, este especialista não se “vangloria” propriamente da erradicação do síndrome de Down, parece até chamar a atenção para a imoralidade da eugenia baseada no progresso do conhecimento genético.

Contudo, e este é o ponto, Stefansson confirma existir essa erradicação quase a 100%.

Citação:

Geneticist Kari Stefansson is the founder of deCODE Genetics, a company that has studied nearly the entire Icelandic population’s genomes. He has a unique perspective on the advancement of medical technology. “My understanding is that we have basically eradicated, almost, Down syndrome from our society — that there is hardly ever a child with Down syndrome in Iceland anymore,” he said.

Quijano asked Stefansson, “What does the 100 percent termination rate, you think, reflect about Icelandic society?”

“It reflects a relatively heavy-handed genetic counseling,” he said. “And I don’t think that heavy-handed genetic counseling is desirable. … You’re having impact on decisions that are not medical, in a way.” Geneticist Kari Stefansson 

Fim de citação.

De volta ao Polígrafo:

“De acordo com um artigo de fact-check da “Iceland Magazine”, publicado na mesma altura (i.e., agosto de 2017, em reação à reportagem da CBS), “aproximadamente 85% das mulheres islandesas optam por fazer o rastreio pré-natal”, pelo que cerca de 15% não fazem esse teste e, como tal, “não se verifica uma taxa de aborto de 100%” dos fetos em que é detetada essa anomalia genética, também denominada como Trissomia 21.”

Quanto a isto, primeira nota:

-100% dos fetos detectados traduziriam um número relativo ao universo das 85% gravidezes rastreadas e não ao número total de gravidezes.  É que, logicamente, por impossibilidade, nos 15% de gravidezes não testadas não se pode ter detectado a anomalia genética. Assim, como se pode garantir, [“como tal” ?! ] que não se verifica uma taxa de aborto de 100% dos fetos detectados com trissimomia 21?! Fica o mistério à consideração do leitor.

Estamos perante ilusionismo do bom, à Polígrafo. É o mesmo que dizer o seguinte:

– São testadas 85% das gravidezes,

Como tal,

– Sabemos que não são abortados todos os fetos detectados com síndrome de Down nesse teste aos 85% das gravidezes.

Parece-nos que, depois de devidamente alfabetizados, os jornalistas do Polígrafo poderiam ir aprender o básico sobre percentagens.

E, pior, é que nem para atacar um espantalho servem. Quem disse que 100% dos detectados eram abortados? A Life Site News sim. Mas a CBS, supostamente a quem a Iceland Magazine reagiu com fact checking, não!

Eis o que a CBS disse: 

a) em média nascem uma a duas crianças por ano com Síndrome de Down na Islândia

E

b) A esse ritmo, o Síndrome de Down está a desaparecer na Islândia.

É preciso repetir que um especialista islandês confirmou como praticamente erradicada do seu país essa anomalia genética?

Como se pode querer refutar isto torcendo percentagens para sublinhar que nem todos as gravidezes detectadas como anómalas são abortadas?

Ao dar credibilidade à patética verificação de factos islandesa o Polígrafo prestou um mau serviço ao jornalismo. Os factos “checkados” já constavam na reportagem da CBS. 

Citando-a:

“While the tests are optional, the government states that all expectant mothers must be informed about availability of screening tests, which reveal the likelihood of a child being born with Down syndrome. Around 80 to 85 percent of pregnant women choose to take the prenatal screening test”

Sim, os testes são opcionais e cerca de 85% das mulheres optam por eles. E?

“With a population of around 330,000, Iceland has on average just one or two children born with Down syndrome per year, sometimes after their parents received inaccurate test results.”

Sim, a CBS já tinha dito que os islandeses são 300 000. E?

Since prenatal screening tests were introduced in Iceland in the early 2000s, the vast majority of women — close to 100 percent — who received a positive test for Down syndrome terminated their pregnancy.

Portanto, a CBS não diz que se verifica uma taxa de 100% mas perto de 100% dos casos detectados. A Life Site News foi mais além e publicou que 100% dos casos detectados eram abortados.

Contudo, em defesa do Notícias Viriato, o que escrevemos foi :

“A Islândia, que aborta quase 100% dos bebés diagnosticados com síndrome de Down”

Para quem nos acusa de copiar quase integralmente o Life Site News, fica o registo: neste ponto dissémos o mesmo que a CBS, considerada “mais credível” pelo Polígrafo.

Continuando com o Polígrafo:

“Mais, “as mulheres não são obrigadas a realizar o teste pré-natal” e o mesmo se aplica à decisão de abortar.”

Aqui entramos na falácia do espantalho pura e dura. Quem disse que as mulheres eram obrigadas ao teste e a abortar? Como já vimos na reportagem da CBS, ninguém. O Notícias Viriato também não alegou tal coisa. 

O facto alegado foi o desaparecimento/erradicação/exterminação do síndrome de Down na Islândia, por via de abortos. Este era o facto que o Polígrafo devia ter verificado. 

Se o Polígrafo teimar que o desaparecimento/erradicação/exterminação do síndrome de Down está a acontecer por livre vontade das mulheres que abortam, isso não prova que tal desaparecimento/erradicação/exterminação não esteja a acontecer na sociedade islandesa. Pelo contrário, confirma-o.

Mais alegações polígrafas:

“Em suma, a publicação em análise veicula algumas informações verdadeiras misturadas com informações falsas. Por exemplo, ao garantir que “em 2017, nenhum bebé com síndrome de Down tinha nascido lá em cinco anos”. “

Este suposto exemplo de alegada informação falsa do Notícias Viriato, assume a CBS como fonte credível:

“Ora, na reportagem da CBS é indicado que “nasceram dois bebés por ano” com síndrome de Down, “ao longo dos últimos anos”.

De facto, o Polígrafo está enganado. Na reportagem da CBS é indicado que: 

“With a population of around 330,000, Iceland has on average just one or two children born with Down syndrome per year.”

…”em média uma ou duas crianças nascidas por ano com síndrome de Down” (CBS)

não é o mesmo que:

“nasceram dois bebés por ano” com síndrome de Down “ao longo dos últimos anos”. (Polígrafo)

Thordis Indagottir é uma islandesa mãe de criança com síndrome de Down. Segundo ela, é mais do que comum nascerem três crianças com o síndrome. E diz, sem especificar, que houve duas nos “últimos poucos anos”. 

Esta é a declaração de uma cidadã local mas, por mais de uma vez, a CBS refere-se a médias e não a números absolutos anuais:

“On average, Iceland has two people with Down syndrome born each year.”

Se a CBS é credível, vamos aos factos:

-De 2012 a 2017, cinco anos, nenhum bebé com síndrome de Down nasceu na Islândia, diz o Notícias Viriato.

-Em média nascem apenas uma ou duas crianças por ano com síndrome de Down, diz a CBS.

Ou seja, 

A CBS apresenta os nascimentos por média -um a dois por ano. Já o Notícias Viriato quantifica o número em absoluto desses nascimentos nos cinco anos antecedentes a 2017 – zero, nenhum.

Ou seja, em teoria, os números das duas fontes até podem ser os mesmos e não haver nenhuma discrepância. Se eu almoçar um frango e o meu amigo nenhum, em média cada um de nós comeu meio frango… Da mesma forma, pode não ter nascido nenhuma criança com o síndrome nos últimos anos e, ainda assim, a média desses nascimentos manter-se, baixar para e/ou ser entre um e dois.

De qualquer forma, mesmo que haja discrepância e contradição de números entre duas fontes, o Polígrafo não pode usá-las para considerar falso o seguinte facto:

-O Síndrome de Down está mesmo, por via de abortos, a desaparecer na Islândia. Este é o facto noticiado e inegável. Notícias Viriato e CBS ( e o geneticista especialista islandês) concordam!

Continuando, eis a mais descarada e ridícula acusação que nos é feita pelo Polígrafo ao longo do seu artigo:

“Mais problemática é a acusação difundida no título, segundo o qual a Islândia “extermina bebés com síndrome de Down”. Como se fosse uma política pública do país, um “extermínio” programado de todos os bebés com síndrome de Down, imposto às mulheres grávidas. Algo que objetivamente não é verdade.”

Aqui temos de concordar com o Polígrafo:

Não existe uma política pública na Islândia que programe um extermínio de todos os bebés com Síndrome de Down, imposto às mulheres grávidas. Objectivamente, isso não é verdade.

Resta agora ao Polígrafo reconhecer objectivamente que o Notícias Viriato nunca noticiou tal coisa. A interpretação livre e propositadamente falsa que o Polígrafo faz do título do artigo é mais um dos seus habituais apelos à falácia do espantalho – inventar uma alegação, atribui-la ao Notícias Viriato, refutá-la e cantar vitória declarando-nos “falsos”.

O título do Notícias Viriato dizia:

“A Islândia extermina bebés com síndrome de down mas faz funeral a glaciar” 

O título do Notícias Viriato NÃO dizia:

“A Islândia extermina bebés com síndrome de Down como se fosse uma política pública do país, um “extermínio” programado de todos os bebés com síndrome de Down, imposto às mulheres grávidas.”

O Polígrafo sabe que o Notícias Viriato escreveu:

“A Islândia, que aborta quase 100% dos bebés diagnosticados com síndrome de Down”

O Polígrafo sabe que o Notícias Viriato NÃO escreveu nem sugeriu haver:

“Extermínio programado de todos os bebés com Síndrome de Down”

Conclusão:

Interpretar criativamente um título para declarar como falsa uma notícia verdadeira NÃO é verificação de factos.

1.De facto, a Islândia extermina bebés com síndrome de Down. Eles estão a desaparecer por via de abortos. Pelo método de matar bebés nas barrigas das mães, antes que e para impedir que nasçam, essa anomalia genética está praticamente erradicada na Islândia.

2. Enquanto isto acontece, de facto , na Islândia fez-se um funeral a um glaciar.

O título e factos apresentados no Notícias Viriato são verdadeiros.

O Polígrafo mentiu e deturpou? O leitor decida.

Bruno Filipe

4 de Setembro de 2019

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VERDADE VS POLÍGRAFO

1º ARTIGO

Verdade VS Polígrafo: Jornal Polígrafo e SIC Difundem Mentiras Sobre Bolsonaro