A quinta geração de telecomunicações, conhecida pelo acrónimo do inglês – 5G, não é um fim em si, mas sim mais um paulatino passo na concretização do sonho distópico de uma sociedade dominada pela tecnologia onde tudo e todos estaríamos ligados na denominada Internet das Coisas. No entanto, esta geração não é apenas mais uma geração, é, de facto, um sistema totalmente diferente de telecomunicações em que, entre vários desenvolvimentos tecnológicos, as tradicionais macro-antenas de telecomunicações serão complementadas por inúmeras mini-antenas. Este sistema representa, por isso, uma densificação enorme de antenas (cerca de 800 por quilómetro quadrado), que seriam instaladas, por exemplo, na iluminação pública, como de resto está a acontecer por todo o país, enquanto somos forçados a estar em casa, numa quarentena que parece ter vindo mesmo na hora certa para este fim. 

Respondam-se honestamente à seguinte pergunta: “Se a intenção desta tecnologia fosse boa porque motivo estaria a ser instalada à socapa, enquanto estamos de quarentena?”

De facto, é importante notar que esta geração de telecomunicações, ao contrário das anteriores, está a receber uma resistência sem precedentes da população que é, por um lado, censurada pelos meios de comunicação dominantes, principalmente a televisão e rádio públicas, e, por outro, absolutamente ignorada pelas instituições públicas responsáveis pela sua implementação, que estão a receber avultados incentivos para o fazerem, e, mais grave ainda, pelas autoridades cuja responsabilidade deveria ser a de nos proteger, como a Direcção Geral da Saúde ou mormente o Governo. Estas últimas, fingem agora estarem muito preocupadas com a saúde das pessoas, a propósito desta nova pandemia, mas há anos que ignoram o verdadeiro problema. A implementação deste sistema envolve enormes investimentos estrangeiros, na ordem das centenas de biliões de euros que comprariam até pessoas que se esforçam por ser honestas, o que dizer das instituições antes mencionadas. Desta forma, a esmagadora maioria da máquina burocrática pública foi comprada ao venderem, com total aleivosia, a vida dos cidadãos que deviam defender, por meros interesses económicos. Isto não é uma novidade, mas a enorme resistência da população é. 

Qualquer pessoa, com espírito crítico, perguntar-se-ia então: “Porque motivo esta geração de telecomunicações, em particular, está a receber tanta resistência?” A meu ver, a resposta a esta pergunta tem duas naturezas!

A primeira, a mais grave, são as evidências científicas sólidas do detrimento da vida causada pela exposição às radiofrequências usadas nas telecomunicações. As evidências são inúmeras: aumento da ocorrência de gliomas, diminuição da fertilidade, debilitamento do sistema imunológico, falência do sistema nervoso, na prática, todo e todos os sistemas biológicos são afectados. “Como poderia ser de outra forma se a vida é, em grande medida, regulada por processos electromagnéticos, desde as sinapses cerebrais às membranas celulares?” Portanto, a densificação das antenas, inerente ao funcionamento do sistema 5G, traria, por si só um aumento alarmante da exposição às ditas radiofrequências. No entanto, a isto tem de se adicionar o facto de usarem frequências mais altas, que as anteriores gerações, e, ao contrário da radiação natural (por exemplo, a solar), estas seriam polarizadas, modeladas e com formação de feixe. No seu conjunto, todo o sistema faria escalar a exposição a radiofrequências a níveis sem precedentes e consequentemente os seus efeitos prejudiciais. Por isso, vários apelos foram feitos por renomados cientistas e que, como era de esperar, caíram em saco roto. Infelizmente, estes mesmos efeitos estão a ser reportados, por várias testemunhas, em vários países do mundo onde os seus governos tecnocratas estão apressadamente a ligar este sistema.

A segunda, a mais profunda, é a crescente compreensão de que as promessas feitas na década de 80, com o início das telecomunicações (com a primeira geração), que estas viriam resolver todos os problemas do mundo, que teríamos acesso a todo o tipo de informação, que estaríamos permanentemente ligados numa espécie de “paraíso tecnológico”, se revelaram, à medida que as décadas iam passando, ser uma total e absoluta fraude. “Ainda alguém acredita que o último modelo de telemóvel equipado com antenas 5G, 6G, ou o G que quiserem, nos vai trazer felicidade?” “Não será que a maioria de nós não percebemos já que isto é mais um grilhão na corrente invisível que nos prende a uma sociedade tecnológica, fria e calculista, drenada de valores humanos e espirituais, e sem qualquer tipo de bom senso, onde é praticamente impossível viver?” “De que nos servem descarregar um vídeo de 1 Gb num segundo, na “Gigabite society” se todo o tecido social foi destruído pelas redes sociais, a cúspide desta sociedade?” “Quantos de nós, talvez a maioria, se sente defraudado e quer uma vida diferente?” Não falo de uma vida fácil, mas, sim de uma que seja autêntica, fraterna e humana, não uma manipulação digital das nossas percepções.

Por isso, a resistência ao 5G é, na verdade, uma resistência existencial, uma resposta ao princípio mais básico da sobrevivência quer física, quer humana e, a meu ver, nada a poderá deter, nem mesmo instituições e autoridades corruptas, nem mesmo a quarentena, porque deriva do mais essencial que temos. É, portanto, um fogo depurador que incendiará os corações humanos e que tanto têm tentado extinguir, com o medo que nos infundiram por décadas. Esse tempo chegou ao fim, porque quando perdemos a nossa liberdade, já não temos nada a perder.

Estimados leitores, por favor, reparem que a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, o Acordo de Helsínquia e outros tratados internacionais reconhecem que é um direito humano fundamental que toda e qualquer intervenção que possa afectar a saúde humana tenha de ter o consentimento informado da população. O que aqui foi dito, revela que a instalação da quinta geração de telecomunicações sem consentimento da população transgride os mais fundamentais direitos humanos. 

Termino denunciando que o abate generalizado de árvores nos meios urbanos se deve ao sistema 5G, isto porque as ondas electromagnéticas mais curtas deste sistema não atravessam a vegetação e, portanto, impossibilitam o seu funcionamento. Não deixa de causar algum perplexo, tanta preocupação com o ambiente, com o CO2, que “vamos todos morrer” com o aquecimento global, e agora que, “valores mais altos de levantam” já ninguém está preocupado e pode-se abater às carradas o melhor absorvedor do dito gás!

O autor agradece à Observa Magazine pela oportunidade de publicação e ao Movimento Português de Prevenção do Electrosmog pela revisão do texto.

Autor: Hugo Manuel Gonçalves da Silva, Professor Auxiliar no Departamento de Física da Universidade de Évora. Doutorado em Física da Matéria Condensada (especialidade em electromagnetismo dos materiais) na Universidade do Porto e fez o seu pós-doutoramento em fenómenos electromagnéticos terrestres (tendo sido investigador visitante na Universidade de Bristol) e trabalha agora na área da Energia Solar.

Artigo originalmente publicado na edição de Maio de 2020 da Revista Observa: https://observamagazine.pt/maio/om.html#p=36

Actualização 11/07/2020: Artigo actualizado com os agradecimentos finais e o link da fonte original.